Hackers pela Educação

Encontro em Brasília reúne programadores, designers, e educadores para facilitar o acesso a dados educacionais e pensar um novo modelo de educação para o país. 

Por Fernanda Beirão e Márcio Amorim

Entre as maiores preocupações dos brasileiros está a educação. Uma pesquisa do Ibope de 2010 identificou a educação como a segunda maior preocupação de quem vive no Brasil, com 16%, atrás apenas da saúde.

Captura de tela de 2013-05-21 11:26:37
Tela inicial do site ‘A Escola que queremos’, vencedor do hackaton do INEP.

Um grupo de cinco pessoas de vários estados do país foi o campeão ao criar o projeto Escola que Queremos, um site capaz de gerar um indicador de qualidade “inteligente” de uma determinada escola que pode ser comparado com as médias municipal, estadual e do país. Há 16 critérios disponíveis que precisam ser selecionados pelos usuários para que uma nota seja gerada. A qualidade da merenda, presença de biblioteca, as condições de trabalho dos professores, ou o fato de a escola ter ou não conselho de classe, por exemplo, podem ser usados para chegar neste índice chamado pelos inventores de “Ideb personalizado”.

Em segundo lugar ficou o projeto Portal de Acessibilidade de Dados da Educação Básica (Padeb) e, em terceiro, o Busca Escola. Deste, é possível ter acesso a um protótipo, no site www.buscaescola.org. O programa permite a busca da melhor escola no caminho entre a casa e o trabalho.

Longe dos clichês

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Por dedicarem muito tempo a pesquisa e experimentação, imagina-se que os hackers tendem a ter reduzida atividade social, viver focados em seu próprio mundo e se encaixar no estereótipo do nerd. Mas os hackers do bem (não confundir com crackers) que estavam presentes na maratona promovida pelo Inep não condizem com esse imaginário. A jornalista Fernanda Campagnucci, de 27 anos, que compõs o grupo vencedor da competição, por exemplo, milita no ativismo digital pela educação há alguns anos.

Ela é editora do Observatório da Educação da Ação Educativa, uma associação civil sem fins lucrativos cuja missão é promover direitos educativos, culturais e da juventude ao buscar justiça social, democracia participativa e desenvolvimento sustentável.

Além disso, Fernanda também compõe um grupo de discussão online chamado HacksHackers, em que jornalistas são os “hacks”, pois dão significado às palavras em qualquer situação. Já os “hackers”, dão significado aos códigos de programação. O coletivo pretende juntar pessoas que estão trabalhando para ajudar outros a darem sentido ao seu mundo. “É para hackers que exploram tecnologias para filtrar e visualizar informações, e para os jornalistas que usam a tecnologia para encontrar e contar histórias”, explica. Fizeram um encontro presencial exclusivamente para aprofundar o debate sobre como usar os dados de educação, coletar mais ideias e trabalhar com visualizações e aplicações sobre o assunto.

Fernanda e seu grupo se conheceram online, pois todos são ativistas pela participação política online e se preocupam em como as informações públicas são organizadas e distribuídas. Pedro Guimarães, que foi um dos mentores do “Escola que Queremos” acredita que é necessária uma nova visão ao se observar e cruzar os dados disponíveis sobre educação. “Não importa tanto a nota de um aluno. O cruzamento de notas baixas com o de alunos que não tem pai, por exemplo, podem trazer resultados muito mais significantes para que haja uma verdadeira mudança educacional no país”, explica o programador.

A única outra hacker mulher presente no evento era Luciana Leiko, dona de um visual alternativo, bem diferente do que se espera de uma hackers, a jovem é formada em matemática pela USP mas atualmente estuda educomunicação, na mesma instituição. “Eu queria salvar o mundo com a tecnologia, por isso me envolvi com essas temáticas”. Seu projeto politicadofuturo.com.br não foi premiado, mas Keiko pretende dar continuidade a ele aperfeiçoando-o.

Diferentemente da maioria dos maratonistas, Fabrício Nascimento não tinha tanta familiaridade com a temática da educação. Ele já havia participado de outros hackathons mas apenas de empresas privadas como Facebook e Google. “Eu tinha uma visão diferente do setor público em relação à tecnologia. As leis sobre dados abertos são avançadas. Nós da tecnologia da computação precisamos por na prática essas informações”. O rapaz contou que ficou impressionado com a quantidade de dados disponibilizados e que a partir de agora estará mas atento para esse tipo de informação.

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