Artes visuais em tempos de revolução digital

Novas tecnologias ampliam o já extenso universo da criação artística e proporcionam maior divulgação das obras.

Alexandra Martins "Há espaço para se pensar em formas de sobrevivência do artista contemporâneo além das galerias"
Alexandra Martins “Há espaço para formas de sobrevivência do artista contemporâneo além das galerias”

Por Fernanda Beirão e Márcio Amorim

O fazer artístico nunca foi campo ameno para se trabalhar profissionalmente. Pintores dependeram de mecenas ou de instituições para criar as obras-primas que moldaram a ideologia da nossa sociedade. A revolução digital deste início do século tem potencial para mudar esse quadro.

A artista plástica brasiliense Alexandra Martins, especialista em artes visuais, cultura e criação, explica que há vários mercados dentro do campo das artes visuais que funcionam de forma diferente.“Há arte enquanto produto único, que tem o preço de acordo com sua popularidade, dificuldade técnica ou mesmo por carregar o nome de algum artista. Mas há espaço também para se pensar em formas de sobrevivência do artista contemporâneo além das galerias”, afirma.

Exemplo é o PastelSpace.Com, rede social que funciona como galeria onde se expõe obras dos diversos cantos do globo para consumidores igualmente do mundo inteiro. A curadora é a arquivista brasiliense Shirley Carvalhedo, que iniciou na rede de “marchand virtual” quando mestranda na Universidade de Baltimore – EUA. O serviço de “monetarização do conteúdo criativo” funciona da seguinte forma: o artista submete sua obra ao crivo da curadoria, em seguida tem seu trabalho divulgado no site (que desenvolveu um algoritmo para impedir cópias sem direitos autorais) e fica com 70% do valor negociado. Outra vantagem é que a forma de apresentação do portfólio é personalizada. Artistas individuais em início de carreira investem no pacote básico; organizações de arte de grande porte customizam de acordo com suas demandas.

Fotografia profissional e  Photoshop

Também na fotografia enquanto arte o advento das ferramentas digitais teve grande impacto. A fotógrafa brasiliense Jacqueline Lisboa atesta que “a edição ajuda a imprimir mais da minha personalidade nas fotografias”. A internet também é fundamental para divulgar seus trabalhos. “Estar lá é imprescindível pra ser visto, acessado e encontrado (…) Tenho um portfólio físico também, mas conheço vários amigos designers e fotógrafos que não tem nem a intenção de ter um portfólio impresso”, conta. O “boca a boca”, antes restrito a “panelinhas”, se tornou democrático com a internet. Os perfis da fotógrafa no Facebook podem ser livremente compartilhados e ela acaba por receber proposta de trabalho por e-mail ou pela rede social.

Histórias em Quadrinhos

Os desenhos da Sidarta Comunicações são criados diretamente no computador – em mesa digital, com canetas que capturam o movimento -, e trabalhados no programa Ilustrator, da Adobe. João Carlos Amador, 33 anos, é o proprietário e o roteirista das histórias. São quadrinhos institucionais para ações de cidadania e para distribuição na rede de educação básica. O publicitário menciona que escolas públicas substituirão livros impressos por tablets. Por isso é questão de tempo para que as versões em papel (ainda a encomenda majoritária das instituições de ensino) cedam lugar para edições exclusivamente digitais.

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Já o quadrinista e designer Nestablo Ramos, 40,  milita nas Histórias em Quadrinhhos desde 1998. Hoje, ele escaneia  o desenho feito à mão para colorizar no computador. Para dar melhor acabamento aos seus desenhos utiliza os programas Corel Draw X3 e Photoshop. A distribuição das tirinhas Zona Zen,  desenhadas por Nestablo, é feita, também,  pela webmagazine Acesso Total. Outro trabalho feito pelo quadrinista foi o livro PET contra a Ameaça Biológica que pode ser comprado na loja virtual HQManiacs. Segundo o próprio Nestablo, a paixão pela vida animal, fez do tema um de seus objetivos de vida.

Nestablo trabalha com quadrinho há mais de 20 anos. Hoje utiliza o Photoshop para colorir seus quadrinhos feitos à mão.
Nestablo utiliza o Photoshop para colorir seus quadrinhos feitos à mão.

Vídeo feito a partir da sequência de imagens do livro PET contra a Ameaça Biológica, roteirizado e desenhado por Nestablo.

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