Jogos que divertem e ensinam

Empresas de Brasília criam jogos de computador que ajudam na aprendizagem de tarefas difíceis, de uma forma simples e divertida.

Por Fernanda Beirão e Márcio Amorim

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“Pára de jogar e vai aprender alguma coisa!”. Quem é aficionado por games certamente já ouviu pelo menos uma vez essa frase. No entanto, as coisas parecem estar mudando. Após anos sendo vistos como simples entretenimento, os jogos virtuais ganham outro status com os serious games, em português “jogos sérios”. Esses games aplicados ao ensino e à formação, podem colaborar no aprendizado à distância, no treinamento corporativo, nas estratégias e treinamentos militares, nos cuidados com a saúde e meio ambiente e, acreditam alguns especialistas, pode levar a uma mudança cultural e de comportamento.

Há empresas em Brasília investindo na área. A Firasoft, criada por 4 jovens do DF, criou o jogo Conte Até 10 para a campanha de mesmo nome do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A ideia é sensibilizar a sociedade com objetivo de evitar os homicídios cometidos por impulso, que ocorrem em situações como brigas em bares, discussões no trânsito ou entre vizinhos. No game os jogadores passam por situações do cotidiano e devem demonstrar controle sempre que necessário.

Para Felipe Modesto, sócio da empresa, esse tipo de jogo pode facilitar bastante os processos de ensino.  “Nós criamos a empresa com a ideia de fazer jogos que contribuíssem de alguma forma com o aprendizado. Iniciamos com jogos educativos, mas vimos que o mercado era bem mais amplo”. Felipe conta que a Firasoft ainda tem dificuldade de apresentar seus serviços, pois muitas empresas e órgãos públicos não entendem o conceito de serious games.  “O governo não sabe que existe isso. Temos que ir atrás. Mas as reações são muito positivas quando entendem o quanto um game pode simplificar a assimilação de conteúdo”.

Foi através de contatos com empresas de publicidade de Brasília que os rapazes da Firasoft ficaram sabendo que o CNMP  queria um jogo para a campanha  Conte Até 10. Eles entraram em contato e em um mês e meio já haviam desenvolvido o game, que pode ser baixado no Iphone e também em qualquer celular Android, além de estar disponível no Facebook.

A empresa também é responsável pelo desenvolvimento do jogo Ligue as Estrelas, um sucesso nas lojas virtuais da Apple e Android. O jogo já teve mais de 50 mil downloads, boa parte feita no exterior. Nesse game, voltado para o público infantil, a  ideia é auxiliar o desenvolvimento da coordenação motora. Busca, também, ensinar crianças diferentes tipos de conhecimento, como números, países e constelações estelares. Para realizá-lo foi reunida uma equipe multidisciplinar que contava com programadores, desenhistas, pedagogos e até mesmo um músico.

Quem também já percebeu o potencial da área foi o estudante de engenharia de software da UnB, Edson Henrique Lopes da Costa, um dos criadores da WordaStudios. Ele desenvolveu um jogo chamado Matz – Challenge of the Ancients (Matz – Desafios dos Antigos), que pode ser baixado em aparelhos do sistema Android. O game foi projetado pelo estudante  a partir das próprias experiências com colegas que não conseguiam aprender matemática. Para Edson, atualmente não há inovação em sala de aula. “Os alunos são obrigados a seguir a mesma didática há vários anos”, conta.  O estudante sonha com o dia que jogos possam ser utilizados em salas de aula de escolas de todo o país.


Pedagogia dos Jogos

Apesar de estar sendo mais aceita agora, a ideia de se utilizar jogos com propósitos educativos não é nova, tem  origem antes da popularização dos computadores. Pesquisadores como Jean Piaget teorizavam, ainda na primeira metade do século XX, sobre o desenvolvimento da criança e sua adaptação ao mundo adulto através das atividades lúdicas. Jogos e brincadeiras seriam, para muitos, modos de aprendizado acessíveis e atraentes. Quando se joga, praticam-se vários atos de aprendizagem sucessivos, desde a memorização das regras, passando pela avaliação de estratégias e chegando ao domínio sobre jogo.

Outros pesquisadores, como o linguista James Paul Gee e  o designer de jogos Ralph Koster também enfatizam o elo entre educação e videogames, destacando como é possível extrair do aprendizado uma atividade divertida.

O professor doutor João Gomide, coordenador do curso superior de graduação tecnológica em Jogos Digitais da Universidade FUMEC, de Belo Horizonte, relata ainda que os primeiros “jogos sérios” surgiram no final do século 19, com os de tabuleiro e as cartas, portanto muito antes dos computadores. Eram usados principalmente para treinar estratégias militares.

A administradora Misséias Oliveira, também vê potencial de ensino nos videogames. Elas acredita que os jogos auxiliam seu filho, Lucas, de 5 anos, em diversas tarefas. Para Misséias, o filho é muito mais concentrado após ter aprendido a jogar videogame. Ela percebeu que ele mais desenvolvido em relação à coordenação motora fina, responsável pela capacidade que nós temos de usar de forma precisa e mais eficiente os pequenos músculos que estão no nosso corpo. Para a mãe, se houver equilíbrio, os jogos podem ajudar bastante no desenvolvimento dos pequenos. “Ele brinca lá fora, corre, faz karatê, vai para a aula e  também joga video-game. Aprende com todas essas atividades”, explica.

Os jogos sérios não são um gênero de jogo, mas uma categoria com diferentes propósitos. Esta categoria inclui entre outros os seguintes seguimentos:

infgráfico serious games

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